Onde o Vinho se cruza com a Arte

A Quinta Vila Rachel é uma propriedade familiar fundada pelo famoso Escultor Português José Joaquim Teixeira Lopes, pela sua esposa Rachel Pereira de Meireles ( de onde provém o nome da Quinta ) e seus filhos António Teixeira Lopes e José Teixeira Lopes, também famoso Escultor e Arquiteto respetivamente, para além de quatro filhas, Elisa, Maria Rachel, Adelaide e Emília.

Esta foi fundada em 1880 na zona de Ribatua ( São Mamede de Ribatua), num local magnífico sobre o Vale do Tua, muito próximo das margens do rio Douro e em plena Região Demarcada do Douro ( Cima-Corgo ), uma zona de qualidade superior para a produção de Vinho do Porto, bem como Vinhos de Mesa. Devido a esta posição privilegiada, desde o tempo da sua fundação, a Quinta tem-se dedicado à produção de uvas, vinho do Porto e azeite, através do cultivo nos seus 30 ha de propriedade.
A casa foi projetada pelo filho do fundador, José Teixeira Lopes. É uma casa em estilo de Palacete e que contém junto à residência principal o Armazém onde antigamente se fazia o vinho do Porto e que nos dias que correm continua a servir como sendo a Adega principal da Quinta.

O conceito de Arte é algo que desde sempre acompanhou os fundadores da Quinta. António Teixeira Lopes juntamente com o seu professor Soares dos Reis foi considerado um dos melhores escultores portugueses de sempre, tendo inclusivamente recebido o mais importante prémio de arte da altura a nível internacional, o Prémio Grand Prix do Salon de Paris (1900). Desta forma, o interior da casa principal está repleta de obras criadas pelos dois escultores fundadores, sendo que este espólio serve na perfeição como uma cronologia artística do seu trabalho ao longo de décadas.

Atualmente a Quinta é gerida pelos descendentes em linha direta dos Fundadores, estando atualmente na 6ª geração familiar. Esta geração foi também o resultado do cruzamento com a família Barros Cartageno, que são produtores de Vinho do Porto desde o século XVIII também nesta zona de Ribatua, no entanto os documentos oficiais apontam a data de 1823 como sendo a data oficial registada mais antiga que menciona a produção de vinho na família.

 

José Joaquim Teixeira Lopes

Vida e obra do Escultor e Fundador da Quinta Vila Rachel

TrisavôJosé Joaquim Teixeira Lopes, mais conhecido como Teixeira Lopes Pai, nasceu em S. Mamede de Ribatua, Concelho de Alijó, em 1837, filho de viticultores. Foram seus avós paternos Manuel Teixeira Lopes e Ana Lopes e maternos Joaquim Lameiras e Águeda Cardoso, todos de S. Mamede de Ribatua. A família era numerosa: José Joaquim Teixeira Lopes teve pelo menos onze irmãos.

Desde rapazinho se sentiu irresistivelmente atraído pela arte e, sem nunca ter tido aprendizagem prévia, nem conhecido esculturas de valor, esculpia em madeira, com uma rara habilidade, imagens ingénuas, muitas das quais revelam inesperada expressão religiosa. Algumas destas imagens existem ainda hoje em S. Mamede de Ribatua e em várias igrejas do Concelho de Alijó e de Carrazeda de Ansiães.

O pai, reconhecendo a vocação artística do filho, conseguiu que este se tornasse aprendiz no ateliê do Professor Manoel da Fonseca Pinto (1802-1882), no Porto, escultor mediano, mas bastante conhecido, que dirigia, nos estaleiros de Gaia, os trabalhos de escultura que decoravam as proas dos navios de grande tonelagem. Aos treze anos, assim, José Joaquim Teixeira Lopes iniciou a sua aprendizagem artística (1850), entalhando com um machado as figuras esboçadas pelo Professor. Era um trabalho duro e difícil , mas que lhe permitiu aprender, ao longo de seis anos, os rudimentos da profissão.

Em 1856, Teixeira Lopes voltou para a terra natal onde prosseguiu a realização de imagens religiosas. No ano seguinte, casou-se com a sua prima Rachel Pereira de Meireles (1841-1912), filha de António Pereira Júnior e Maria da Conceição Meireles, proprietários. Foram seus avós paternos João Pereira Lopes e Maria José Rabacinho e maternos António José de Meireles e Quitéria Rosário Cardoso, todos de S. Mamede de Ribatua. Foi um casamento de amor que durou cinquenta e cinco anos e em que a dedicação mútua do casal foi constante e reconhecida por toda a família e amigos.

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Rachel Pereira de Meireles

Vida da Fundadora da Quinta Vila Rachel

Captura de ecrã 2015-12-23, às 19.05.12Rachel Pereira de Meireles (01/05/1841-04/11/1912) foi, juntamente com o marido José Joaquim Teixeira Lopes, a fundadora da Quinta Vila Rachel.

Em 2 de Dezembro de 1857, José Joaquim Teixeira Lopes casou-se com a sua prima em terceiro grau Rachel, filha de António Pereira Junior e Maria da Conceição de Meireles, importantes proprietários a nível local. Foram seus avós paternos João Pereira Lopes e Maria José Rabacinho e maternos António José de Meireles e Quitéria Rosário Cardoso, todos de S. Mamede de Ribatua. A família Pereira era há gerações, essencialmente produtora de vinhos do Porto e de mesa, e também de azeite. 

O casamento de Rachel com José Joaquim foi um casamento de amor que durou cinquenta e cinco anos e em que a dedicação mútua do casal foi constante e reconhecida por toda a família e amigos. 

O pai de Rachel deu-lhe como dote uma propriedade apreciável, onde os noivos passaram a residir. José Joaquim, considerando  que, permanecendo na terra natal, além de não conseguir evoluir nas suas capacidade técnica e conhecimento teórico, também não conseguiria sustentar a família a fazer santos de madeira para o reduzido mercado regional, e Rachel venderam pouco depois a dita propriedade para custear a sua ida e instalação no Porto, onde aquele irá encetar sérios estudos de escultura e desenho, que lhe permitirão realizar o seu sonho de se tornar um escultor de mérito.

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António Teixeira Lopes

Vida e Obra do Escultor, filho dos Fundadores da Quinta Vila Rachel

papiO Escultor António Teixeira Lopes nasceu em Vila Nova de Gaia em 27/10/1866. Era filho do Escultor José Joaquim Teixeira Lopes e de D. Raquel Pereira de Meireles, ambos naturais de S. Mamede de Ribatua, Alijó. Seu pai, José Joaquim Teixeira Lopes, era um excelente barrista e estatuário, tendo estudado em Paris e realizado numerosas figuras populares, estátuas de Santos para diversas Igrejas do concelho de Alijó (de que é exemplo a Senhora das Graças da Igreja de S. Mamede de Ribatua) e profanas (tais como o monumento a D. Pedro V na Praça da Batalha – Porto).

António Teixeira Lopes, na adolescência, trabalhou com seu Pai na Fábrica Cerâmica das Devesas de Gaia, de que este era sócio-fundador, retocando reproduções e fazendo olhos de vidro para Santos. Em 1882, iniciou estudos na Escola de Belas-Artes do Porto, tendo como professores Marques d’Oliveira (Desenho) e Soares dos Reis (Escultura). Em 1885, partiu para Paris, onde estudou  com Berthet e Gauthier e, depois, na Escola de Belas-Artes, com Cavelier e Barrias, tendo sido o melhor classificado do seu curso.

Nas férias , em Portugal, iniciou o busto de Teresinha, filha de António José da Silva, exportador de vinho do Porto e dono da Quinta do Noval, que é a sua primeira obra no país natal. De regresso a Paris, o Escultor montou ateliê próprio, onde desenvolveu os seus trabalhos e conviveu com os grandes artistas portugueses que à época rumavam à cidade-luz.

No Salon de Paris de 1889, expôs a “Comungante” (mármore) e o “Caim” (gesso, sendo modelo um rapaz de S. Mamede de Ribatua,  Manuel Vieira ), tendo recebido uma menção honrosa.

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