A Região do Douro possui um conjunto de Terroirs como não há igual. A sua riqueza e morfologia do solo predominantemente em xisto, bem como o microclima que lhe é tão característico, permitem a produção de vinhos com uma complexidade de sabores e aromas muito intensos, próprios de um vinho de Terroir. Esta  riqueza tem muito a ver com a proteção natural criada pela Serra do Marão que serve de contraforte contra o clima húmido atlântico que existe do outro lado da Serra e que é proveniente da Costa Portuguesa. Esta barreira natural permite por isso o aparecimento do chamado clima mediterrânico, em que durante o Verão as temperaturas estão sempre acima dos 35ºC e no Inverno muitas vezes situam-se abaixo de 0ºC. É sem dúvida este contraste de opostos que fazem das uvas do Douro serem ingredientes mágicos para a criação dos vinhos mundialmente famosos que provêm desta mítica região.

A Quinta Vila Rachel fica situada no Vale do rio Tua, afluente do Rio Douro, e pertence à zona de Cima-Corgo, o coração do Douro. O Terroir desta zona é muito característico sendo que a altitude das vinhas varia muito consoante o sítio, aliás como em toda a Região do Douro, devido à morfologia montanhosa dos terrenos. Estes são na sua maioria dispostos em encostas constituídas por socalcos construídos pelos Durienses ao longo dos séculos.

As vinhas apesar de serem uma cultura dominante na Quinta, estão rodeadas por extensivos Olivais. Para além das Oliveiras, consta na vegetação característica da Quinta, Ciprestes, Laranjeiras, Amendoeiras, Macieiras, Nogueiras, Pinheiros, Medronheiros, entre muitas outras variedades. Aliás, é da nossa intenção privilegiar a biodiversidade das espécies, dando uma maior clara importância à produção de Vinho e Azeite.

A nossa Filosofia de cultivo é direccionada para a Produção Biológica, em que fazemos questão de afirmar o nosso maior respeito pelos solos que cultivamos e pela Natureza em toda a sua forma holística. Somos por isso completamente contra o uso de produtos como herbicidas, pesticidas e fertilizantes de síntese que destruam e desiquilibrem os solos, sendo prejudiciais para a saúde dos consumidores.

 

As nossas Vinhas

Estas são as cinco vinhas da Quinta

A Vinha da Obra é uma das nossas vinhas mais antigas e a que de certa forma dá a cara à Quinta pois rodeia a Casa Principal em duas frentes. Estas vinhas têm uma área total de 3 ha a uma altitude compreendida entre 380 e 405m e as suas idades andam à volta dos 50 anos. A orientação solar é de Nordeste e Sudeste. 
Como era tradição antigamente no Douro, a plantação destas vinhas deu-se sem uma ordenação de castas, estando todas misturadas. É possível identificar nestas vinhas dezenas de castas diferentes, sendo que as suas uvas são de uma concentração extraordinária devido à sua idade avançada. O solo desta Vinha, como em todas as outras da Quinta, é em xisto.
Nesta vinha ainda é possível de encontrar antigos mortórios onde existiram videiras da época anterior à Filoxera, ou seja vinhas anteriores a 1868, e plantadas em socalcos muito estreitos.

 

 

 

vdfA Vinha do Ferrado é a nossa vinha com altitude mais baixa e é composta por 1,10 ha a uma altitude compreendida entre 275 e 306 m, muito próxima da foz do Rio Tua, junto ao Rio Douro. A vinha tem orientação solar a Nordeste.
As castas plantadas são a Touriga Franca, Tinta Roriz e Sousão. Esta zona de socalcos situada na parte baixa do Vale do Tua é sem dúvida, de todas as vinhas que a Quinta possui, a que sofre os maiores contrastes de temperatura, atingido temperaturas altíssimas no Verão, com descidas abruptas no Inverno. A própria vegetação que rodeia as vinha nesta zona, começa parcialmente a desaparecer e a ser substituída por outras espécies à medida que sobe a altitude, devido às características edafo-climáticas desta zona. 

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As nossas castas

É das grandes uvas que nascem grandes vinhos

Apenas Portugal possui cerca de 300 castas autóctones da espécie Vitis Vinefera, que é a espécie de videira mais utilizada para a produção de vinhos a nível mundial. Especificamente na Região do Douro, a utilização de diversas castas no mesmo vinho é a forma tradicional de os produzir. Das dezenas de castas típicas no Douro destacam-se a Touriga Nacional, a Touriga Franca, a Tinta Roriz, a Tinta Amarela, a Tinta Barroca, A Tinta Carvalha, a Tinto Cão entre muitas outras. 

Aqui na Quinta Vila Rachel entendemos que os vinhos deverão ser feitos através da mistura de castas que já provêm da vindima, pois nas nossas próprias vinhas as castas já estão misturadas. Como damos um enorme valor à biodiversidade de plantas, para nós o fundamental é conseguirmos preservar o grande número de castas diferentes que existem no Douro, e com isto remar contra a corrente do que se está a passar em geral nas vinhas portuguesas. Actualmente está na moda substituir as tradicionais plantações antigas, onde as castas estão todas misturadas, para se fazer plantações em modo de monocasta, privilegiando mais ou menos as 7 principais castas do Douro, relegando para o esquecimento todas as outras. Acrescentando a isto, e ainda com outra agravante, as castas plantadas são clones de videiras selecionadas supostamente mais fortes, ou seja dentro deste número de castas restritamente selecionadas é relegado também para o esquecimento a biodiversidade naturalmente existente, para selecionar apenas as videiras mais fortes. Tudo isto é um enorme erro.

Por isso a nossa política passa por uma conservação da natureza e da sua valiosa biodiversidade. Quando fazemos uma nova plantação, vamos sempre buscar sementes diversas de vinhas antigas que já temos plantadas, rejeitando a plantação pelo método de clone de pé enxertado.

 

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